23 de fevereiro de 2026

ao mesmo tempo

Este texto é uma viagem
Ao mesmo tempo
chegou no destino
Ao mesmo tempo
Nunca chegará 
Ao mesmo tempo
Que não há espaço 
Ao mesmo tempo
Que em todo lugar
Ao mesmo tempo
Que é sobre um conceito
Ao mesmo tempo 
Que é sobre entender
Ao mesmo tempo 
Que é não saber nada
Ao mesmo tempo
Que é saber de tudo
Ao mesmo tempo 
Que é a consciência 
Ao mesmo tempo
Que é inconsciência 
Ao mesmo tempo
Que é sobre ter gênero 
Ao mesmo tempo
Que é sobre não ter
Ao mesmo tempo 
Que é sobre só ser
Ao mesmo tempo
Que vai parecer
Ao mesmo tempo
Que já padeceu
Ao mesmo tempo 
No céu e no inferno
Ao mesmo tempo
No Deus o Diabo
Ao mesmo tempo
Num dia qualquer
Ao mesmo tempo 
Que foi, vem ou é 
Ao mesmo tempo
Que todos os dias
Ao mesmo tempo
Que falso real
Ao mesmo tempo
Que fora adentrando 
Ao mesmo tempo
Que fora adentrou
Ao mesmo tempo 
Que realizado
Ao mesmo tempo
Não realizou
Ao mesmo tempo 
Que imanifesto
Ao mesmo tempo
Se manifesta
E acabou
Mas nem começou 

21 de fevereiro de 2026

Ouvi e Senti Mito

 Era (praticamente) véspera de carnaval quando comecei a escrever. 

(Ontem) No dia anterior, eu decidi meditar com um abafador em concha que comprei por uma grana considerável, da melhor marca, só não o melhor modelo. 

Conforme foi acalmando a minha mente, minha mente foi despertando para a percepção da escuta; e os barulhos sutis do silêncio me chamaram a atenção. Eu tinha saído da roça em 2024 e como estava morando em locais ruidosos, não tinha ainda conseguido ter esse tipo de silêncio (ou de som) desde então. 

Quis "me vestir" com o sentimento de ser "a pessoa que escuta". Respirando...


...mas , como na aula de sintaxe, surgiu a pergunta: "a pessoa que 'escuta' o quê?". A resposta obvia?: "O 'som'". Mas não basta escutar o som. Se uma pessoa fala com a gente, conosco, escutar o timbre da voz, a melodia da entonação, volume, tom, ritmo, sílabas, fonemas, fone, gestos, expressões faciais... Nenhuma dessas características, em si, será o suficiente pra dizer que estamos escutando bem. Então... ...posso ser "a [pessoa] que [escuta] o [som] e o [sentido]". Pessoa que escuta som e sentido?... ...mas "sentido" se relaciona com "sentir", não sensações físicas. Talvez palavra melhor seja "sentimento". Talvez emoções? Mas o que é sentimento mesmo?

Se não me engano foi em um vídeo da Ediane Ribeiro que eu ouvi uma definição marcante, que deixa a distinção entre sentimento e emoção inconfundível, por conta do que ela disse sobre os sentimentos. 

Sobre emoções eu já sabia um tanto: são respostas que nos mobilizam em reações primordiais. A Wikipedia, citando Elvira Cuesta, lista as emoções mais básicas como apenas 3: positivo, negativo, neutro, o que me gerou um incômodo com serem adjetivos flexionados no masculino. Prefiro usar nomes: atração, repulsão, indiferença. Digo, teria que ser uma indiferença sincera em vez da "indiferença" que é usada pra falar ironicamente de "desprezo". Enfim, talvez atração ou desejo, repulsa ou retração, gosto e desgosto acabam sendo bons exemplos de emoção, junto com os outros divertidamentes: tristeza, alegria, raiva, medo, nojo, tédio, ansiedade, vergonha, coragem... 

Trecho de "6 emoções básicas segundo a psicologia":

"Segundo a psicologia de Ekman, existem 6 emoções básicas do ser humano. No entanto, graças às novas tecnologias de neurociência, sabe-se que o nojo e a ira procedem de uma emoção em comum e que a surpresa e o medo compartilham uma expressão facial base. Por isso, podemos afirmar que, na verdade, existem 4 emoções básicas." 

Embora se defina a partir de pensamentos que acontecem rápido, muito mais rápido que as próprias emoções, talvez exista nelas algo de instintivo. São reações a estímulos internos e/ou externos, que produzem a sensação abstrata, subjetiva, mas também alterações neurobiológicas específicas. 

Já o sentimento, que é o foco, a gente vê que se parece com emoções, mas a Ediane classificou como uma sensação inserida em um contexto. Ao contrário das emoções, que são genéricas, os sentimentos possuem história ou estória. A "rejeição", a "frustração", a "valorização, o "empoderamento", são bons exemplos de sentimento, pois não existem sem uma situação, ou várias, mesmo que imaginada. Não? Cada um desses sentimentos possui uma narrativa específica, narrada em primeira pessoa.

Voltemos então à minha narrativa: lá estava eu meditando nos pequenos chiados, zumbidos, assopros, que passam a se parecer mais com o som de uma cachoeira. Imagino água de cachoeira caindo e me lavando, me atravessando, mas não passa muito tempo antes que o som mude para borbulhos e gorgulejos, aquele som que você escuta quando mergulha em água corrente. Daí que esses pensamentos começaram a fluir como água, aquelas primeiras perguntas e respostas que eu refinei pra não correr o risco de falar bobagem.

Toda essa água não era só um monte de som, nem signos com significados estáticos, nem apenas reações neurobiológicas. Eu poderia então escutar meu sentimento, ou melhor, meus inúmeros sentimentos. Nada melhor que ouvir as minhas próprias narrativas, pra tratar o transtorno depressivo ansioso que tem habitado em mim, aliás, qualquer psicose, de acordo com o freguês. 

Pra eu escutar a mim mesma eu precisava escutar sentimentos. Mas qual sentimento eu escutaria, já que me pareceu lógico que eu escutasse um por vez? Se eu olhasse pra uma célula da minha subjetividade, escutasse sua história INFELIZ e olhasse então para ela, eu teria algo pra responder? Eu teria alguma antítese integradora pra colocar em diálogo com as fragmentações da minha personalidade?

Percebi que é importante valorizar os próprios sentimentos, com suas narrativas, independente de os fatos serem "reais", já que para o cérebro não existe distinção entre um fato imaginado ou vivido externamente. Já que pra quem sente uma dor, tanto faz que a sua justificativa seja "procedente", essa pessoa quer ser ouvida, acolhida, valorizada, válida, amada, amparada, orientada. Essa pessoa quer se sentir em comunhão. Tanto faz se essa comunhão é com uma pessoa externa ou com uma outra parte de si. Levar bronca de si , ser criticada, silenciada por si, dói igual. Como a nossa mãe de carne e osso nos afeta tanto quanto a mãe da nossa cabeça, como se fosse a mesma pessoa. Depois de ouvir toda narrativa de uma das minhas tristezas, que alegria curativa eu teria para oferecer? Eu lá sou feliz?

Apesar de todas as incontáveis crises de depressão e de ansiedade que tive nos últimos quatro anos, eu continuo tendo a mais completa convicção de que "eu sou uma pessoa feliz". Pode parecer ilusório ou superficial. Tipo, a pessoa me fala: depois de fazer dezenas de digressões sobre qual é o termo mais adequado pra usar em uma situação, você simplesmente pega um "feliz" e taca-le pau. Ok. Talvez uma palavra que melhora ou pelo menos complementa é "realizada". 

Pensando na minha vida, independente das flutuações, quando o dia acaba e eu acabo tendo que sintetizar o que é minha vida, eu sinto que sim. Eu sou uma pessoa realizada. Sou grata pela minha trajetória, pelo meu propósito, pelos meus afetos, especialmente os que não são daqui (como eu também não sou daqui), os que não estão mais aqui, nesta dimensão, mas me amam, me acompanham e me guiam. Realizada e iniciada, por meio de uma história com presente, passado e futuro. Um sentimento!

O sentimento é o de uma felicidade de quem vive um "conto de fadas". Claro que a alemã trans tem como mito pessoal um "conto de fadas" e eu sei qual conto é esse que eu vivi para chegar ao "feliz para sempre", então por que às vezes me parece que eu vivo mesmo um "feliz nem sempre"? Me parece que o término com minha amada Julie seria uma prova de que meu feliz pra sempre não é verdadeiro, mas sim: eu fui tão feliz relacionalmente, de forma muito concreta em cinco dos meus 8 anos de relacionamento, que não existe nenhuma possibilidade de ser mentira, até por que: a razão da minha felicidade não era um príncipe ou princesa encantada, não era por ter uma alma gêmea. Não. Eu não sou nada gêmea da minha "ex(namorada)". Eu continuo amando ela e toda família e, tanto agora, como antes, temos muitas concordâncias e semelhanças, porém nossos genes não poderiam ser mais distintos: famílias nada familiares, tristezas e alegrias muito pouco familiares. A visão de mundo só era parecida na superfície e as contradições eram tão abundantes como poderiam ser e, sinceramente, que bom. 

Uma coisa que quem conhece sabe é que eu e Julie crescemos muito; que a nossa cria, Amy, minha enteada que amo tanto, cresceu muito, literalmente em todos os aspectos. A maioria dos bons momentos (e a maioria dos "maus momentos") foram muito engrandecedores. Então não é questão de simplesmente ter botado todas as fichas no "amor romântico", pois houve três grandes divisores de água na minha história que foram fundamentais na minha caminhada: 

  1. Encontrar a Ayahuasca pela primeira vez
  2. Mudar de cidade, de São Paulo para São José dos Campos
  3. Nomear minha configuração de gênero, sexualidade e performance
No primeiro evento eu entendi o que é o Universo: movimento, vibração, transformação. A felicidade perfeita é a integração de (Felicidade) alegria e tristeza. O prazer perfeito é aquele integrado com a dor. O amor perfeito é o que não diferencia sujeito e objeto ou as perguntas da aula de sintaxe: 
  • Quem ama?
  • Ama quem?
Quem ama é quem é amade.
Eu que amo não quero restringir quem amo. Pra mim isso se tornou uma convicção e uma bandeira desde 2014/2015. Pra mim, repito. Não desvalorizo a "forma de amor" de outrem, mas acredito que, no fundo no fundo...

TODO MUNDO QUE AMA QUER LIBERDADE VERDADEIRA. 
Pra mim é isso que faz sentido. 
Pra mim
não existe prova de amor maior 
que permitir 
que as pessoas 
que mais queremos perto 
vão pra longe
se e quando quiserem
pra serem recebidas 
de braços abertos 
incondicionalmente
quando quer que voltem. 

Além de amor, O Universo é a própria CONSCIÊNCIA, sem matéria, nome e forma; o todo que é maior que a soma das partes; a fonte da existência composta de AMOR, INTELIGÊNCIA e SABEDORIA. Onipresente, está em tudo, pois é tudo. Onisciente, pois conhece todas as partes de si (as criaturas, seus pensamentos). Onipotente pois é INFINITAS POSSIBILIDADES, manifestas e imanifestas.
Absurdo, não? (Discorde) Desacredite à vontade. 

O segundo evento me trouxe finalmente a capacidade de entender quem eu sou quando paro de viver na saia da mamãe. Minhas crenças não são exatamente as crenças da minha família (papai, mamãe, filhinhes). A vida adulta chega pra ficar. Depois de anos trabalhando, entendo o que é suportar o peso do sistema político-econômico sem costas quentes e olhos vendados. Entendi o que é a sociedade e seu efeito em mim: simplesmente capitalismo. Quem entende entendeu, quem não, joga na Wikipedia. 

O terceiro evento me permitiu entender o que é a minha verdadeira identidade (enquanto consciência encarnada). O terceito evento ocorreu após saber de uma situação de abuso. Eis que, impactada com aquilo eu me percebo horrorizada com o patriarcado, muito horrorizada, muito ofendida, com vontade de gritar, de tal forma... ...que me cai a ficha de que sou, tão fortemente, sua vítima e sua inimiga, que a crença de que sou homem ficou insustentável. 

Eu sou uma pessoa transgênero, com a configuração de "gênero fluido" por conta de me sentir ora mulher, ora homem, ora alguma outra coisa, portanto, uma identidade não binária. Também sou uma pessoa não-monogâmica, militante da Não-monogamia-política. Também sou anarquista, macumbeira, esotérica, revolucionária (no sentido de que acredito na revolução que destruirá o CAPETAlismo de uma vez por todas). Deixei de ser algumas coisas: cis, escoteire, designer (e trouxa! Aloka!) Ter uma missão, uma convicção, uma identidade e uma família é o que me define como "pessoa que é feliz". 

Feliz 
triz
tecendo

Então se eu fui uma princesa, que perdeu a bola, levou porrada do sapo até entender a porra toda e tacar ele na parede pra exigir respeito e diálogo, conquistando enfim uma relação saudável consigo, com o mundo e com seus relacionamentos, "feliz pra sempre" serei e ponto final. Se eu vivi um conto de fadas como mito pessoal, o fim dele é "felizes pra sempre" e acabou a história, the end, c'est fini, adiós. 
Tudo isso que estou contando e elaborando aqui foi levado pra minha nova terapeuta na sessão de sexta feira, dia 20/2/26. Ela me perguntou: 
— O que acontece depois do final da história?
Não sei. O que sei dizer é que os contos de fada representam um processo de iniciação que acaba no início da vida adulta. "Felizes pra sempre" não é "felizes sempre juntos". Não tem o "como" foram felizes para sempre, com quais ferramentas, com quantos filhos, quantos divórcios, quantos obstáculos e nem quantos momentos de emoções que não a alegria. Felicidade, essa coisa que é menos passageira que uma alegria momentânea? Não se afeta pelas flutuações da vida. Só mergulha no Rio. Flui nas águas. 
Não é "felizes monogamicamente", na monarquia, no capitalismo, no planeta Terra. Não tem condições nem restrições. É ponto final porque é três pontinhos. Então, com tudo isso dito, como pode ser que a minha vida não seja o mais puro feliz pra sempre?

Corrijo essa análise mal feita do texto, a narrativa do sentimento da felicidade que me propus a escutar. Olhei pra ela e disse: 
— Quem é você que diz "eu sou feliz"?
A resposta foi todo esse texto escrito e é bom eu encerrar antes que mais coisa surja nessa história. Apenas digo que a correção é:

Vivemos felizes pra sempre sim
eu minha família amigos amores
independente de estarmos "sempre juntos" 
(o que seria tóxico) 
somos para sempre felizes com quem somos 
com como encaramos a existência Natureza Universo

Como eu encaro
no caso
que a existência tudo pode
Sempre pode 
sustentar paz e alegria 
eternas infinitas e íntegras
integração especialmente
pra quem tem olhos pra fechar
e ouvidos para escutar

Hari OM

Dou graças à mãe Natureza
Dou graças à Centelha Divina
Graças à Deusa
Jaya MA!
Graças ao pai céu
Graças à Divina Consciência
Graças ao Deuso

Graças a Eus
Crio
Sustento
trans formo
trans-ascendente-al

26 de janeiro de 2026

Mandi

 Mandi


Refrão

Cintila u...

m'estrela

mistério

mito ancestral


Me fala 

minh'alma

se liga a ti

Mandi


O espírito Lua Jjatsy ouviu dois anciãos que rogavam um lamento

Queriam ter uma criança que lhes ajudasse a plantar o alimento

Foi ele então procurar alguma alma boa que pudesse descer

Começa a história assim da criança encantada que estava pra nascer


Refrão


Enquanto sonhavam Djatsy disse de uma estrela, seu nome era Mandi

Seu rogo seria atendido, ela concordara em descer té aqui

“Mas cuidem dela muito bem, a sua alma é muito querida pra mim

A anciã então concebeu, o tempo até parou quando ela nasceu em fim


Refrão



Menina de cabelo loiro e a pele clara como a luz do luar

nasceu numa tribo em que, eram só os homens que podiam plantar

enquanto crescia feliz, entendia as plantas, falava aos animais

ligava-se a toda floresta, seres encantados e os elementais


Só entre a sua aldeia, só com o bicho gente

Achavam ela estranha, a viam diferente

Por ter os pais idosos e ser uma albina

E por ser a fílha única da sua família

queria ter direito de coletar sementes

ficava magoada mesmo sorrindo sempre

aprendeu o cultivo e semeou a terra

mas o povo ficou uma fera


Não podia ir na Natureza

E cresceu a sua tristeza

Um dia ela cansou e fugiu 

E definhou na beira de um rio



Antes de ela partir

Chove Tupã! chove Tupã!

Fez um encanto surgir

Chove Tupã! chove Tupã!

Na chuva eis que germina

planta com raiz albina

Muita fartura houve ali

onde enterraram Mandi

Oca

Mandi

Oca

Mandi 

Oca 

Mandi


Cintila u...

m'estrela

11 de setembro de 2025

A Magia do Reino

Breve prólogo: 

Este texto se relaciona com este outro, sobre Magia. Não acho que é obrigatório ler o outro nem quero subestimar a inteligência de quem me lê, mas acho interessante conhecer aquele pra apreciar melhor a brincadeira deste. 


A Magia do Reino


Tudo começa com o rei

Rei (REX)

Substantivo masculino

designa pessoa (homem) que rege

Rainha (REGINA) 

substantivo feminino

(nada a ver com ser uma esposa subalterna do Rei)

também teria o mesmo desígnio

de regente

Substantivo (ou adjetivo) de dois gêneros, comum de gênero ou ainda

Gênero Neutro

Pessoa

que rege 

um reino

com um determinado LIMITE


De espaço:

Com fronteiras que vão até

determinados pontos

bordas

extremidades


De tempo

de um reinado

dinastia

tempo de vida

fase da vida

etapa


E funções ou aspectos:

Em alguns casos regente

só cuida de diplomacia

esfera pra além da qual

esta pessoa não é líder

em outras palavras

fora dessa esfera, o rei

está fora do seu reino 

não manda em nada


Real é adjetivo

Comum de gênero

que designa algo relacionado

a Rei

Rainha

Regente

Reinado

ou Reino


Em inglês a palavra "rei" tem outro radical

O Rei

The King

Rainha

The Queen

e reino

The Kingdom

KING DOMain


Domain é domínio

que pode ser mais pejorativo

no campo semântico político

mas às vezes

pode significar um certo aspecto

um domínio

um campo

uma esfera

um "terreno"

uma "área"

um "reino"


outra palavra do inglês pra isso é "realm

Substantivo 

Obs: No inglês, pra quem não sabe, nem todo substantivo tem gênero. O que não é masculino/feminino é neutro, como o pronome "they", que é ele/eles, no gênero neutro. 

Realm

do mesmo radical de rei

é usada em contextos mais 

metafóricos abstratos

como no caso de um universo

ficcional

no Reino da Fantasia

in the Fantasy Realm


Do Reino o Real


A qualidade "real"

significa 

pertencente ao reino

reinado

de quem é regente


Os elfos são muito reais

no "mundo" da Terra Média

trilogia "O Senhor dos Anéis"


Os anjos são muito reais

no "Reino dos Céus"


Realidade

é substantivo feminino 

(ou deveria ser neutro?)

uma substantivação

que abstrai

a "qualidade de ser real"


Se individualmente

regemos nosso corpo

e subjetividade 

o que está nesse reino 

real é, para nós

o que se relacione 

à nossa dominância


Lembrando a icônica frase de Mufasa ao filhote Simba em "O rei Leão"

"Olhe Simba!

Tudo isso que o Sol toca

é o nosso Reino"


A mera percepção de algo novo já torna esse novo conhecimento uma parte de nosso reino individual Psicológico

Tudo que sabemos 

e tudo que esquecemos que sabemos

(aquela parte escura cheia de ossos e hienas)

se relaciona com nosso reino subjetivo

é portanto

nossa realidade


Realidade

por se aplicar dentro de fronteiras

será sempre

relativa

a um reino

e não a uma noção universal


conforme ampliamos as fronteiras da nossa visão de mundo

muito mais coisas existem

o que ontem era real

que vá contra o que é real hoje

se torna irreal

ou falso

dentro de nosso reino


o que pode parecer 

até óbvio, tão real

pra uma pessoa

pode ser inalcansável

absurdo, incompreensível

pra uma segunda

errado, falso, ofensivo

pra uma terceira


Embora nesta análise, o interesse vá mais pro reino das ideias, filosófico, simbólico, não sócio-histórico-cultural, a gente pode, por exemplo, ao adotar uma postura ética e decolonial, estabelecer que:

para os governantes

de um Estado-nação

regentes políticos

o "espaço" da subjetividade

individual

está "fora de seu reino"

Não cabe às funções 

de um cargo institucional qualquer

policiar: 

• pensamento

• sentimento

• desejo

• valor de opinião

• corpo físico

de qualquer pessoa

ou ser vivo

a não ser que

uma dessas 

partes internas

ao ser expressa

exteriorizada

ameace concretamente 

o espaço individual

de outrem


Em outras palavras, dá a clássica expressão:

NA MINHA VIDA MANDO EU


Em "O Rei Leão"

tudo onde o Sol toca

é o reino

e o protagonista 

é o (Rei) leão

que não tem opção de não reinar.

Depor as hienas e o tirano fratricida

que simbolizam:

o desgoverno,

os excessos, 

a doença psíquica;

é obrigação de Simba tomar deles o poder de reinar. 

(Provavelmente uma referência a Hamlet, peça teatral de William Shakespeare)


Pois toda a narrativa simboliza uma única psiquê

o pai e todos os reis do passado estão dentro dele

todo reino está dentro dele

até a deliciosa anarquia de Timão e Pumba, que muito o ensina

tudo está dentro dele

tudo é a realidade que cabe a ele gerenciar


Na sua vida 

na sua subjetividade

na sua identidade 

em tudo que o a sua consciência toca 

apenas você pode determinar o que é real e o que não é.


Você, o que você acha? 

Essa reflexão, pra você 

é real ou não é real?

3 de setembro de 2025

Saúdo-a

 Saúdo a saudade

soldada em mim

que dá direto

a digerir

os tempos idos

poros alados

lá dos de lá

lido de cá


Coautora: Júlie Centeno

14 de agosto de 2025

Lágrimas de Crocodilo

Sei que até pode parecer

que a selva não te respeita

savana já não te ama

você se sente gnu


Sua boca não mais assusta

sua pele não põe respeito

seus olhos não já não são mais os

únicos ditos bonitos


Você não é mais o rei

e nem hiena e nem leão

porque agora toda lei 

é para toda criação


Capivara é importante igual a você

O macaco é importante igual a você

e a formiga é importante igual a você 

e nem mesmo o elefante patentes vai ter 


Mas sua dor 

tem seu valor 

só não 

mais do que as outras 

tu'opinião 

tem seu colchão

só não 

pisar em cima


Crocodilo também vai brilhar ao Sol

crocodilo também vai nadar no rio

só não vai dar mais mordida nem ordem na gente


Crocodilo que anda em pé

que não tem calda nem bocão

nem escamas pontiagudas

nem os olhos com risquinhos 


Você também é um ser humano

mas todos precisam ser também

Eu te quero bem

Eu me quero bem 

Queremos o bem 

de quem...


Tanto sofreu por você 

morreu mordido de raiva

a raiva desses bichos tem que vazar

até que não precise mais vazar

falar o que nunca pôde falar

e então...


Ajuda'a gente a curar essa galera 

pra trazer justiça pra toda a Terra

e então começar logo a nova era 


sem punição 

sem privilégio

separação

ou sacrilégio 


só amor cuidado e carinho 

e todo o mundo é um só ninho

ninguém mais vai 'tar sozinho 

na família 


global

é real


mas eu sei que dói

deixar de ser

o rei que destrói

o outro ser


Eu prometo 

que vai ser 

bem melhor que foi 


Eu prometo 

que vai ser 

bem melhor que é 


Meu amado 

tão divino 

tão sofrido


Jacaré


— Sei como é, seu jacaré

8 de agosto de 2025

Eis que não cimento

Uma parte 
partida
de mim
só quer dizer: 


Esqueço
Eis que cimento
todas as histórias 
e situações que 
nem vou ficar descrevendo. 

E a noção de si diz: 

Nem a pau, Juvenal
Me orgulho de tudo
Gosto da trajetória
Me lembro e muito bem
embora ainda não 
compreenda tanto
por enquanto.